Projetos de leitura, Resenha

{Resenha} Cartas da prisão, de Frei Betto

Olá, aventureiros!

Acabei de concluir meu primeiro desafio do Grande Desafio do Culto Booktuber (livro de não-ficção). E fiz uma ótima escolha, por sinal 😉

Vamos conversar um pouquinho sobre Cartas da prisão?

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Cartas da prisão, como o próprio nome já diz, é uma narrativa epistolar, ou seja, um livro todinho de cartas!

Essas cartas foram escritas por Frei Betto no período de 1969-1973 em que ele ficou preso durante a ditadura militar no Brasil. Frei Betto era frade da Ordem Dominicana e tinha sido preso pelos militares por ir contra o regime (tornando-se, assim, preso político).

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  • Sobre os dominicanos e a ditadura militar

A Ordem Dominicana foi fundada por São Domingos Gusmão. Surgiu na Europa, durante a Idade Média, aproximadamente em 1170.

“São os religiosos, ordenados e não ordenados, que vivem conforme o projeto de vida religiosa, radicalmente inovadora, suscitado por Domingos.  Os monges vivem na ‘fuga do mundo’; os dominicanos na inserção mais plena no mundo, sobretudo nos centros urbanos, no compromisso com a realidade. O claustro dos monges têm uma única abertura, para o céu; o claustro dos dominicanos têm, sim, a abertura para o céu, mas têm também a porta sempre aberta para o mundo, para acolher e para andar. Os monges fazem voto de estabilidade no mosteiro; os dominicanos praticam a itinerância mais radical, para anunciar o Evangelho de Cristo aos irmãos dos quatro cantos do mundo. Hoje os frades da Ordem estão presentes em mais de oitenta países, nos cinco continentes. No Brasil atuam em comunidades situadas, especialmente, na parte central do país.” (Fonte: http://www.dominicanos.org.br/site/index.php)

No Brasil, os dominicanos sempre exerceram papel fundamental denunciando as atrocidades cometidas pelos militares do período ditatorial. E, por isso, foram perseguidos e brutalmente torturados.

Cinco jovens frades dominicanos ficaram muito conhecidos por denunciar a ditadura e apoiar e se reunirem com um dos principais organizadores da luta contra o regime militar, Carlos Marighella. São eles: frei Tito, Betto, Oswaldo, Ivo e Fernando.

  • Sobre as Cartas da Prisão

O livro reúne diversas cartas escritas por frei Betto no período em que ficou preso com seus companheiros da ordem.

Um grupo de estudantes da Ordem Dominicana, em São Paulo, aderiu àquele movimento de resistência, atuando como base de apoio aos que lutavam na linha de frente, em especial à ANL, comandada por Carlos Marighella. Alguns dos frades envolvidos na militância política lograram escapar da repressão policial-militar, refugiando-se no exílio. Outros, no entanto, foram presos a partir de 1º de novembro de 1969, envolvidos nos episódios que culminaram no assassinato de Marighella.

É um livro comovente e muito detalhado. Algumas partes, é claro, foram censuradas pelos militares ao serem enviadas aos destinatários. É uma obra rica e que nos faz refletir sobre como aqueles que eram contra o regime eram tratados.

As cartas foram escritas para seus familiares, amigos e outros religiosos.

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Frei Betto passou por alguns presídios, tais como Tiradentes e Carandiru, onde ficou como preso político. Após alguns anos, foi levado a outro presídio, com presos comuns.

O que mais chama minha atenção no livro é que ele fala da vida na prisão, de como está seu processo de julgamento e, como frade, nos ensina muito com sua espiritualidade.

Não anuncio um cristianismo de sofrimento, anuncio uma fé que liberta, vivifica, redime e salva.

E em diversos pontos do livro, Frei Betto acaba nos levando a inúmeras reflexões. Vejamos o exemplo a seguir, em uma carta escrita aos seus pais e irmãos, quando estava na Penitenciária Regional de Presidente Venceslau, juntamente com presos comuns.

O regime penitenciário recupera o preso comum? De modo geral, não, apensas concede-lhe um longo período de férias de suas atividades delituosas. Quando não funciona como curso de pós-graduação. A única eficácia desse regime é afastar determinado criminoso do contato com a sociedade e da oportunidade de reincidência. (…)

Há também um livro escrito por Frei Betto que conta a história desse período, desde quando ele e seus amigos, também frades, resolveram denunciar o regime militar até quando ele foi preso e depois exilado. É o Batismo de Sangue. Esse livro deu origem ao filme de mesmo nome (vale a pena conferir)!

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Ficam aí duas dicas de livros incríveis e que precisam ser lidos, principalmente em tempos que alguns pedem a volta da ditadura militar no Brasil. #DitaduraNuncaMais

Por:

Kelly Cominoti

2 comentários em “{Resenha} Cartas da prisão, de Frei Betto”

  1. Oi Kelly! Caramba, deve ser um livro super interessante e ao mesmo tempo muito emocionante! Relatos de pessoas que foram presas e exiladas nessa época é muito comovente.. Fazemos um mergulho em nossa história. Fiquei curiosa para conhecer mais sobre essa obra. Obrigada pela dica!
    Beijocas

    Curtido por 1 pessoa

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