Projetos de leitura, Resenha

[Resenha] Ainda estou aqui

Olá, aventureiros!

Hoje tem dica de leitura! A primeira resenha de 2019 faz parte do projeto Ditadura Nunca Mais, que criei no blog no final do ano passado.

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Neste livro conhecemos a história do próprio autor e sua família. Marcelo Rubens Paiva inicia o livro falando sobre a doença de sua mãe, Eunice Paiva (que faleceu em dezembro do ano passado), que sofreu de Alzheimer. Em cada capítulo ele fala sobre os cuidados com a mãe e das memórias que ela perdeu e o autor a lembra, como se estivessem conversando. O livro é narrado em primeira pessoa. O narrador é o autor.

A temática do livro é a ditadura civil-militar no Brasil. O pai do autor, o deputado Rubens Paiva, lutou contra a ditadura e foi torturado e morto pelos militares. A princípio, foi dado como desaparecido, uma vez que o corpo nunca foi encontrado.

A suspeita se confirmou. Rubens foi preso. Rubens foi internado. Rubens estava na mira. Todos estavam. Era a ditadura. Já tinham prendido velhos intelectuais, editores, jornalistas, humoristas, professores, sindicalistas, deputados, militares, cantores, músicos, atores, diretores de teatro, de cinema, escritores, estudantes, padres, freiras, juristas, freis. Tinha escuta telefônica por todo lado. Interceptação de cartas e telegramas. O cerco estava apertado. Rubens caiu. Rubens foi internado (p. 126).

Os relatos são emocionantes. E nos fazem refletir muito! Como sempre digo, é preciso conhecer o passado para entender o presente e para não permitir que os mesmos erros ocorram.

Marcelo Rubens Paiva conta das amizades do pai também. Pessoas importantes no meio social, político e até literário. Antonio Callado, por exemplo, foi um grande amigo dele.

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O autor deixa claro o que pensa a respeito deste período tão tenebroso da nossa história:

A família Rubens Paiva não é a vítima da ditadura, o país que é. O crime foi contra a humanidade, não contra Rubens Paiva. Precisamos estar saudáveis, bronzeados para a contraofensiva. Angústia, lágrimas, ódio, apenas entre quatro paredes. Foi a minha mãe quem ditou o tom, ela que nos ensinou (p. 39).

Somente em 1995, no governo FHC, este, que também foi amigo de Rubens Paiva, foi decretada uma lei (lei 9140, de 4 de dezembro de 1995), onde todos os desaparecidos durante a ditadura, que tenham participado ou acusados de participação em atividades políticas foram dados como mortos. Somente nesse ano foi possível que a família agilizasse documentações, contas bancárias, seguro de vida, entre outras burocracias.

O autor também lembra das pessoas que prestaram solidariedade a ele e sua família. Durante a ditadura, após o desaparecimento de seu pai, sua mãe e sua irmã mais velha foram levadas para serem interrogadas pelos militares. Sua irmã foi liberada logo, porém sua mãe ficou presa alguns dias.

Com relatos que comovem o leitor, Marcelo Rubens Paiva, resgata à memória:

Meu pai entrou no DOI-Codi em 20 de janeiro de 1971, morreu na noite do dia 21 de janeiro, foi levado na madrugada do dia 22, esquartejado, enquanto minha mãe e minha irmã eram interrogadas em separado (p. 153).

O final do livro é poético, ao falar com sua mãe, que tinha 85 anos. É emocionante! Fica a minha super indicação de leitura!

Abraço,
Kelly Cominoti

2 comentários em “[Resenha] Ainda estou aqui”

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